Gabrielli fala dos efeitos negativos da Lava Jato para a economia do país e para a Petrobras

José Sérgio Gabrielli
Gabrielli fala dos efeitos negativos da Lava Jato para a economia do país e para a Petrobras

Ao abrir ontem (01/06) o ciclo de debates sobre os impactos da Lava Jato na economia e na sociedade brasileiras, o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, destacou a importância da empresa para o desenvolvimento econômico do Brasil. Disse, porém, não acreditar que, mesmo com uma mudança de governo, seja possível retomar o projeto de uma Petrobras forte e capaz de impulsionar o país como há uma década.

 

 

Gabrielli fala dos efeitos negativos da Lava Jato para a economia do país e para a Petrobras

Reprodução: YouTube.

“A Petrobras hoje é uma empresa pequena, e dificilmente nós vamos voltar ao quadro que tínhamos em 2010 e em 2011, disse ele, referindo-se aos efeitos negativos da operação Lava Jato sobre a estatal em apresentação de abertura do ciclo de palestras “Lava Jato: crime, devastação econômica e perseguição política”.

 

O evento, organizado pelo Instituto Lula em parceria com a Central Única de Trabalhadores (CUT) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ocorrerá sempre às terças-feiras, às 17 horas, até o dia 27 de julho. Nos próximos encontros serão apresentados os resultados de pesquisa coordenada pelo Dieese sobre os prejuízos da Lava Jato à economia brasileira. O coordenador técnico do Ineep William Nozaki será o palestrante do dia 29 de junho, com o tema “Capitalismo e corrupção”.

 

A palestra de Gabrielli foi dividida em quatro partes: “Situação anterior à Lava Jato”, “Tempestade de 2014 a 2015”, “A operação Lava Jato” e “As mudanças depois”. Com números e gráficos, chegou aos dias atuais e destacou a importância da Petrobras nesta trajetória. De 2006 a 2013, o lucro líquido da companhia variou de R$ 21,2 bilhões (2012) a R$ 35,2 bilhões (2010). “A empresa era muito lucrativa e crescia. O potencial de reservas de petróleo era um dos maiores do mundo”, comentou o ex-presidente da empresa.

 

Três motivos justificam a descrença do ex-presidente da Petrobras com a possibilidade de a empresa voltar a impulsionar a economia do país: primeiro, porque não haverá a engenharia brasileira, destruída pela operação Lava Jato; segundo, porque não haverá a perspectiva de crescimento das reservas do pré-sal, o que no passado foi um estímulo à indústria de bens de capital; e terceiro, porque a Petrobras estará fora da atividades de distribuição de derivados de petróleo, do gás natural, da indústria petroquímica, de biocombustíveis, de fertilizantes e terá vendido parte de suas refinarias. “Voltar a 2010 é impossível. Manter a situação atual também não acho possível. Então temos de pensar em minimizar danos”, disse ainda Gabrielli.

 

Comunicação Ineep

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