Maldição do pré-sal? Para quem?

  • Paola Azevedo e Rodrigo Leão
  • Segunda, 09 Julho 2018
A recente crise provocada pela greve dos caminhoneiros continua produzindo efeitos econômicos. Embora tendo como epicentro motivador os preços dos combustíveis, ela reascendeu a chama do debate sobre a importância da Petrobras e do pré-sal para o desenvolvimento brasileiro. Alguns autores, inclusive, aproveitaram-se dessa conjuntura para deslocar o debate dos preços para supostas mazelas do pré-sal.
 
Na realidade, desde que foram descobertas, as reservas do pré-sal têm enfrentado questionamentos diversos, incluindo as dúvidas levantadas sobre sua efetiva existência, além de discussões sobre possíveis impactos ambientais da exploração. Embora alguns autores ainda insistam parcialmente nas críticas, elas se tornam insustentáveis diante de uma análise mais detalhada dos resultados obtidos pelas Petrobras. 
 
Os resultados econômicos do pré-sal são formidáveis. Segundo dados da ANP e da Petrobras, entre 2014 e 2017, a produção dos campos, hoje, em exploração mais que triplicou, saindo de 500 mil barris/dia para 1,6 milhão de barris/dia. Esse crescimento impulsionou uma expressiva redução do custo de extração da Petrobras que, no mesmo período, saiu de US$ 14,57 o barril para US$ 11,27, uma queda de 23%. É incontestável, portanto, a eficiência econômica do pré-sal.
 
Também não parecem existir informações que confirmem um possível impacto ecológico negativo. Em conjunto com o pré-sal, a Petrobras também estendeu seus investimentos à cadeia de produção de biodiesel e etanol. Os gastos em pesquisa e desenvolvimento em renováveis cresceram, chegando a quase R$ 90 milhões, segundo o Relatório de Sustentabilidade da estatal. Isso veio acompanhado de uma forte integração com vários setores da sociedade, como universidades e institutos de pesquisa. 
 
A Petrobras criou, em 2006, ano da descoberta do pré-sal, um novo modelo de desenvolvimento tecnológico, envolvendo a indústria local, as universidades e institutos de pesquisas no Brasil, mediante a estruturação de redes temáticas. Criou também os núcleos regionais, com o intuito de direcionar os investimentos de forma articulada, garantir a sustentabilidade do processo de desenvolvimento de PD&I e participar do desenvolvimento do parque tecnológico do país. 
 
Os investimentos proporcionados às quarenta e nove redes temáticas e aos sete núcleos, criados em regiões de grande atividade operacional da empresa, possibilitaram às instituições conveniadas a implantação de infraestrutura e de laboratórios de excelência, a aquisição de equipamentos, o aprimoramento de pesquisadores e de seus recursos humanos, bem como o desenvolvimento de projetos de PD&I de fronteira em cinco grandes áreas, incluindo energia e desenvolvimento sustentável. 
 
Atualmente a Petrobras, empresa que faz o maior investimento em ciência e tecnologia no país, tem uma interação com mais de cem universidades e instituições nacionais de pesquisa por meio deste modelo de parceria tecnológica coordenado pelo Cenpes. 
 
Segundo a ANP, o valor total acumulado para investimentos em PD&I no setor de petróleo e gás, proveniente de contratos assinados sob o regime de concessão e cessão onerosa entre 1998 e 2007 foi de R$ 2,98 bilhões. De 2008 (ano em que ocorreu a primeira retirada de petróleo da camada do pré-sal, no campo de Jubarte da Bacia de Campos) a 2017, os investimentos saltaram para R$ 10,37 bilhões, um aumento de aproximadamente 250% em relação ao primeiro período. 
 
Cabe ressaltar, ainda, que a produção do pré-sal vem ocorrendo de forma segura, sem nenhum percalço em termos ambientais. Portanto, onde estariam as mazelas ecológicas e éticas? 
 
Tais análises soam estranhas quando todas as empresas petrolíferas do mundo correm atrás do pré-sal. Será que somente nós estamos errados? 

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