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Nos últimos anos, a Petrobrás tem passado por diversas mudanças estruturais baseadas nas políticas de desinvestimentos e venda de ativos. Esse processo se iniciou pela redução dos investimentos realizados pela estatal e pela venda de ativos considerados não estratégicos ao negócio de uma empresa de petróleo e gás, principalmente a partir de 2015. 

Logo após assumir a presidência da Petrobrás, Aldemir Bendine anunciou um plano ousado de desinvestimentos como forma de superar a perda do investment grade da Petrobrás e a expansão do endividamento da companhia. Na ocasião, a Petrobrás se dispôs a vender US$ 13,7 bilhões (cerca de R$ 39,5 bilhões) em ativos entre 2015 e em 2016, com foco nos setores de Gás e Energia, Abastecimento e nas áreas estrangeiras de Exploração e Produção. 

Esse plano de desinvestimentos se intensificou, em termos de volume, e se generalizou em termos de segmentos, após a saída de Bendine e a entrada do novo presidente Pedro Parente. No Plano Estratégico de 2017-2021, divulgado no final de 2016, a Petrobrás acelerou o ritmo intenso de parcerias e desinvestimentos para o biênio 2017-2018 no valor de US$ 19,5 bilhões. Além dos setores mencionados, a companhia também decidiu sair dos segmentos de petroquímica, biocombustíveis e fertilizantes. Após a chegada de Pedro Parente, a gestão da Petrobrás teve como enfoque a venda de ativos, a partir de duas lógicas: primeiro, a desintegração da empresa com a Petrobrás abandonando vários setores de atuação e, segundo, na venda de ativos de alto valor agregado inclusive aqueles mais estratégicos. 

Além disso, o Governo Federal, em menos de um ano, também tem impulsionado um conjunto de mudanças importantes na regulação de vários segmentos da indústria de petroleo e gás que visa facilitar a entrada dos investimentos estrangeiros e, ao mesmo tempo, retirar vantagens competitivas da indústria nacional. Entre os setores em que já ocorreram alterações regulatórias, cabe mencionar: a política de conteúdo local, refino, política de exploração e produção (tanto onshore, como offshore), importação de combustiveis entre outros.

No entanto, a natureza de cada uma dessas mudanças, bem como seus impactos para a indústria nacional, os trabalhadores e a sociedade ocorrem de maneira bastante diferenciada. A fim de aprofundar a compreensão de tais mudanças, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) reuniu um amplo conjunto de pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento e formou o Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP) para o setor de óleo e gás. 

Tais mudanças são abrangentes não apenas no âmbito setorial, como também espacial. Por conta disso, buscou-se construir uma equipe de pesquisadores com uma trajetória de formação tanto nas áreas de economia industrial e política de óleo e gás, como também das áreas de geopolítica, ciências sociais e administração pública de diferentens universidades do país. Com isso, formou-se um grupo multidisciplinar com abrangente capacidade de resposta e pesquisa em diversas áreas de conhecimento. Ademais, esse grupo também apresenta uma diversidade institucional com pesquisadores das mais diversas universidades renomadas visando ampliar a capacidade de compreensão das mudanças da Petrobrás em âmbito espacial.

Após o início dos trabalhos, em abril de 2017, a diretoria da FUP tomou a iniciativa, três meses depois, de transformar o GEEP em um instituto de pesquisa formal, denominado Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP). Com isso, além de dar maior autonomia institucional para se articular com outros centros de pesquisa, permitiu-se a criação de uma estrutura própria de realização de eventos e publicações entre outros. Nesse sentido, foi decidido que o INEEP tenha uma gestão própria preocupada exclusivamente com as atividades do instituto. Isso não significa que gerou-se uma distanciamento entre o INEEP e a FUP, pelo contrário, a gestão do instituto estabeleceu-se sobre dois eixos: uma diretoria executiva coordenada por dirigentes da FUP e uma diretoria técnica coordenada por pesquisadores do grupo.

Como bem lembrou a irmã do ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, no ato de aprovação de criação do instituto, “os valores determinantes do instituto de defesa da soberania nacional, respeito aos direitos humanos e sociais, emancipação dos trabalhadores, luta por uma sociedade justa, democrática e autossustentada e respeito à coisa pública, são exatamente os princípios que sempre nortearam a vida pública de Zé Eduardo”. 

O GEEP/INEEP foi criado, portanto, para estudar estrategicamente a indústria de petróleo, gás e biocombustíveis, tendo como principios a soberania nacional, a preocupação com a autossuficiência e segurança energética, bem como o zelo com a coisa pública. Isso num cenário de fortes mudanças regulatórias, geopolíticas e de reconfiguração da atuação da Petrobrás. Para atender a esses desafios, os estudos do instituto foram organizados em duas dimensões: i) reativa e de curto prazo e; ii) propositiva e de longo prazo. 

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