Perspectivas do desabastecimento do GLP no Sul e no Nordeste

  • 21/06/2018

Na última quarta-feira (20/06), uma notícia, pouco divulgada no cenário nacional, mas que chamou a atenção no Nordeste, foi o desabastecimento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) no Rio Grande do Norte. Segundo o noticiário do Tribunal do Norte, com informações Singás/RN, “95% dos revendedores estão sem gás”. De acordo com o Singás/RN, desde a greve dos caminhoneiros, “a quantidade de gás que chega é insuficiente para as revendedoras”. Outros estados no Nordeste, como Paraíba e Pernambuco, também tem sofrido com a ausência de GLP: 

Excluindo a região Centro-Oeste, onde não há estrutura própria de produção de GLP, a região Nordeste e Sul conta com um conjunto de refinarias capazes de atender o mercado consumidor dessas regiões. Considerando as o mercado consumidor e as quatro maiores refinarias de ambas as regiões (Sul e Nordeste), a REFAP, a REPAR, a RNEST e a RLAM, nota-se uma progressiva queda da produção de GLP, por um lado, e um crescimento do consumo no terceiro trimestre de cada ano.

GRÁFICO -  Produção e consumo de GLP no Nordeste e Sul do país

Fonte: ANP

Como mostra o gráfico acima (ver as barras vermelhas), no terceiro trimestre de cada ano, o consumo de GLP sempre apresenta um crescimento entre 5% e 10% em relação ao trimestre anterior. Para o suprimento dessa demanda, a suposição seria de que a Petrobras ampliaria sua produção de GLP. No entanto, para essas regiões, observa-se o fenômeno oposto, ou seja, independente das flutuações da demanda, a Petrobras tem reduzido progressivamente a produção de GLP.

A produção que era 1,1 milhão no 1tri-2016, já chegou a 945 mil no 3tri-2017 e agora, no 1tri-2018, a 862 mil barris equivalentes de petróleo (bep) por mês. Com isso, a diferença entre a produção e o consumo que foi de 833 mil bep de GLP no 1tri-2016, ja bateu 1,2 milhão no 3tri-2017. E essa diferença somente não aumentou em 2018 porque a demanda por GLP caiu e não por um aumento da produção.

Portanto, pode-se supor que, mantendo a curva de produção com uma trajetória declinante, a diferença entre a demanda e a produção de GLP nessas regiões deve aumentar ainda mais no próximo trimestre, superando a casa dos 1,2 milhão de bep observada no 3tri-2017. Ou seja, a atual situação de desabastecimento observada em estados como Rio Grande do Norte, Recife, Paraiba e Santa Catarina tendem a se agravar no curto prazo, caso a Petrobras não retome a sua produção nessas localidades.

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