Venezuela e Irã vão à OPEP pedir união dos países contra as sanções dos EUA

  • 11/06/2018

A Venezuela requisitou junto a OPEP que os países-membros pudessem se unir contra as sanções norte-americanas, em consonância com o pedido feito pelo Irã à instituição, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg. Os dois países pediram que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo discutisse os impactos dessas sanções no próximo encontro da cúpula, marcado para o dia 22 de junho, em Viena.

Invocando os termos firmados em estatuto pela OPEP, o ministro venezuelano do Petróleo, Manuel Quevedo, escreveu: “Eu gentilmente peço solidariedade e apoio de nossos companheiros” para discutir “os efeitos coercitivos das sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos da América, que representam uma agressão extraordinária, financeira e economicamente, para as operações de nossa indústria nacional de petróleo e a estabilidade do mercado”.

Desde o final de maio, os EUA anunciaram sanções que bloqueiam ativos da Venezuela no país, incluindo as propriedades da petrolífera estatal venezuelana PDVSA. As sanções proíbem desde a compra de ativos estatais do país até créditos que Caracas tenha para receber no futuro. Elas foram acompanhadas de compromissos de outros países da região de aumentar a fiscalização e a troca de informações sobre o uso de seu sistema bancário por pessoas ligadas ao governo de Nicolás Maduro.

O maior produtor de petróleo da América Latina, contudo, corre o risco de sanções ainda mais severas, já que a assembleia da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, no início de junho, uma resolução que pode suspender a Venezuela da organização por “ruptura da ordem democrática” e acusa o governo bolivariano como o responsável pela crise humanitária no país.

O Irã também tem enfrentado problemas com Washington, depois que o presidente Donald Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear da República Islâmica no mês passado. Terceiro maior produtor da OPEP, o Irã tem sido alvo da agressiva política externa norte-americana, especialmente nas sanções que incluem restrições ao comércio de petróleo. Em reposta, o ministro iraniano do Petróleo, Bijan Namdar Zanganeh, fez um pedido semelhante ao da Venezuela à OPEP, ao mesmo tempo em que criticou a atuação de outro país-membro do cartel, a Arábia Saudita, por sinalizar que poderá aumentar a sua oferta de petróleo em cerca de 1 milhão de barris por dia, devido a um pedido do governo dos EUA. Com pouca capacidade de expandir a sua produção, Irã e Venezuela seriam duplamente prejudicados por esse movimento: de um lado, pelas sanções comerciais norte-americanas, de outro, pelo aumento no fornecimento de petróleo saudita.

Tudo leva a crer, no entanto, que o cartel irá rejeitar as propostas de discussão. De acordo com a Reuters, o governador do Irã na OPEP, Hossein Kazempour Ardebili, pediu que o atual presidente do conselho da OPEP – o governador dos Emirados Árabes Unidos, Ahmed al-Kaabi – incluísse um debate sobre as sanções nas negociações de 22 de junho. O governador consultou uma assessoria jurídica que respondeu negativamente ao pedido, sob o argumento que a agenda da reunião ministerial havia sido finalizada e não poderia ser alterada.

Com insinuações e trocas de farpas por todos os lados, a próxima reunião de cúpula da OPEP já está sendo cotado no mercado de petróleo como uma das mais contenciosas dos últimos anos – com consequências que irão muito além das questões energéticas.

 

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